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Economia brasileira e expectativas para 2014

 

Escrevi este texto para chamar atenção sobre a situação socioeconômica do Brasil e analisar as expectativas para a economia brasileira em 2014.

Qual é a situação econômica do Brasil?

Qualquer pessoa pode falar bobagem sobre economia, mas se eu fiquei cinco anos estudando sobre este assunto, o mínimo que posso fazer é me basear na ciência e em fatos reais. Devo buscar a clareza nas informações e expressar a realidade através da análise.

Ao bater um papo sobre o Brasil com leigos em economia (pessoas normais) sempre escuto algumas reclamações: “preço dos alimentos subiu bastante”, “o Brasil é um país muito pobre”, “nossa educação, segurança e saúde públicas são muito ruins”. Estas pessoas estão certas.

As pessoas sentem no bolso quando vão comprar o tomate, o feijão, a erva-mate (meu caso) ou carne e os preços destes alimentos estão mais elevados comparados ao mês anterior. Alguns economistas dizem: “A inflação nos alimentos apresentou elevação acima de dois dígitos em cada um dos últimos quatro anos”.

O Brasil está em 7° no ranking do Produto Interno Bruto (PIB). Mas a riqueza de um país não deve ser medida apenas pelo PIB, este mostra apenas o que foi produzido no ano. Coisas importantes como educação, segurança, saúde, saneamento e tudo o que mede a qualidade de vida em uma nação está completamente fora deste indicador. Um dos indicadores mais básicos para medir a qualidade de vida é o IDH.

O IDH não é perfeito, longe disto, é apenas um índice simples para medir o mais básico sobre um país para ter uma noção superficial do desenvolvimento. O IDH utiliza três dados sobre o país: expectativa de vida, escolarização e renda. O Brasil está na 79° posição no Ranking mundial, o IDH do Brasil é 0,74, isto significa que o desenvolvimento não é muito alto.

 

Entretanto algumas das coisas mais importantes para medir a qualidade de vida ficam de fora do IDH. Este índice é um dos mais simples e mesmo assim o Brasil vai mal, imagina em uma análise um pouco mais aprofundada, a bosta que está este país.

 

Falar em bosta, o saneamento básico, por exemplo, fica de fora do IDH. A rede de esgoto no país atinge apenas 40% da população. Significa que 60% de toda a merda evacuada dos nossos compatriotas vai direto para a natureza, grande parte desta é largada sem tratamento em rios e lagos.

O IDH mede os anos de educação, mas não consegue medir a qualidade da mesma. Temos poucos centros de pesquisa de alto nível, podemos contar nos dedos. Sonhar com a existência de dois centros de pesquisa em cada estado brasileiro apresentando a mesma qualidade científica do ITA, quem nunca? (hehehe)

Minha expectativa para 2014 é que o desenvolvimento socioeconômico no Brasil continue evoluindo com “passos de formiga e sem vontade”.

Se deixar de lado a questão social e olhar apenas para a renda, o que vai acontecer?

Quando a “crise do euro” teve seu ápice nos noticiários, em 2009, muitos especialistas falavam que esta situação iria se resolver por volta de 2014. As ações negociadas em bolsas ao redor do mundo tiveram forte queda em 2008 (crise do subprime nos EUA) e em 2009 (crise do euro), muitas destas (para não dizer “a grande maioria das ações”) não retomaram o valor pré-crise ainda hoje. Isto é muito ruim para quem compra ações de empresas como forma de investimento esperando a elevação do preço. A retomada do crescimento econômico mundial faria o Brasil crescer acima dos 5% em 2014, na visão de alguns analistas.

Esperávamos muito mais do ano da Copa do Mundo e das eleições presidenciais. Este tinha tudo para ser o melhor ano da década. As boas expectativas eram: a recuperação econômica europeia e americana, investimentos governamentais inteligentes, política de elevação do poder de compra e a estabilidade do Real.

Mas estas expectativas mudaram radicalmente, tendo em vista o modo de como a economia se comportou até julho deste ano. A inflação nos alimentos continua acima de dois dígitos, a inflação geral está acima da meta (acima de 6%) e o PIB não teve crescimento no primeiro semestre do ano.

As expectativas para 2014 são ruins. Espera-se que a inflação nos alimentos continue acima de dois dígitos, a inflação geral continue acima da meta, o desenvolvimento social continue muito ruim e que o PIB brasileiro cresça apenas 0,9% ao invés daqueles lindos 5% projetados por analistas no ano de 2009 ou dos 2,5% projetado pelo Banco Central no início do ano. O Brasil está para a economia este ano assim como está para o futebol, uma grande bosta.

Fontes de dados:

Banco Central do Brasil –http://www.bcb.org.br

Banco Mundial –http://www.worldbank.org

Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento http://www.pnud.org.br/

Serasa Experian –http://noticias.serasaexperian.com.br/indicadores-economicos/atividade-economica/

 

Sobre Josias Cavalcante

Josias Cavalcante
aspirante a sonhador senior. Interests: Economics, BRAZIL, Business, innovation, Twitter, Technology and Geek things...